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domingo, 15 de dezembro de 2013

O Big Bang e a explicação de como viemos do "nada"

Isaac Asimov, divulgador científico estadunidense, em seu livro, "Asimov Explica", respondeu o que poderia acontecer se uma força irresistível fosse aplicada a um objeto incapaz de ser movido. É um livro de respostas a leitores e ele simplesmente disse que a pergunta é errada, que não faz sentido e então não pode ser feita. Não se precisa ter uma faculdade de exatas para imaginar algo desta maneira, mas nem sempre é assim.

Outra questão diz respeito do porque os japoneses não caem se eles estão de cabeça para baixo em relação a nós. Esta questão confunde muitas pessoas até hoje. A Terra, por ser muito grande, nos dá a impressão de que estamos em um plano e a gravidade atuando, como é verdade, de cima para baixo e então os japoneses estariam ao contrário de nós. Mas eles pensam o mesmo em relação a nós... No espaço vazio não existe posição vertical, horizontal ou qualquer outra, absolutas. Aqui na Terra sim porque a gravidade nos dá a direção e sentido: de cima para baixo em relação ao solo. Para os japoneses também.

Não é correto perguntar se eles estão de cabeça para baixo. Não podemos fazer certas perguntas e aqui começa este texto, porque, perguntar, por exemplo, o que havia antes do começo do nosso universo, pois ele veio de um ponto pequeno, menor que a cabeça de um alfinete, por assim dizer, seria errado porque não havia tempo e espaço antes dele! Tempo e espaço foram criados na explosão, no chamado “inchaço” do Big Bang.

E então tenho que começar explicando sobre a origem deles. O tempo: como no meu artigo "A Teoria da Relatividade não é difícil de entender"-http://teoriadarelatividadefacil.blogspot.com.br/-[...] “ao observar a oscilação de um pêndulo, você sente "que algo se passou" nessa oscilação. Este ‘algo’ ou ‘alguma coisa’, é uma sensação nossa, é o próprio tempo e todas as pessoas sentem o mesmo. E se o pêndulo ficar parado - em repouso - em relação a você, o próprio fato de observá-lo irá fazê-lo raciocinar ou perceber este fato, e isto também contribuirá para que você sinta a passagem do tempo. E por último, se você se desprender deste mundo e começar a imaginar cenas, pensar, sentirá também a passagem ‘de algo’ que é o tempo, enquanto a sua mente troca de cenas. Acontecerá também se você fixar em uma imagem.” [...]. Voltando ao pêndulo, note que precisamos de matéria refletindo luz para termos a sensação de tempo, como em todas as observações físicas, onde se constrói a própria Física. O tempo depende da matéria. Deixemos de lado as citações dos nossos pensamentos neste parágrafo porque o interesse aqui é em nosso universo observável.

Vale a pena se lembrar do filósofo alemão Immanuel Kant dizendo que se o tempo fosse infinito, ele também seria infinito para trás e então não chegaríamos a este momento, em nós mesmos. Por isto ele teve que ter um começo.

O espaço: não imagine "de fora" o Big Bang, como se estivesse vendo uma explosão de uma bomba, porque, não existia nada envolvendo por fora daquele pequeno ponto. Não havia espaço "em volta". O espaço onde estamos hoje é o próprio lugar ocupado dentro, e inchando, se expandindo até hoje, do Big Bang. Não havia e nem há nada "fora dele!". Estamos acostumados a ver bombas, "de fora", em vídeos, televisão, filmes, etc., explodindo e assim imaginamos quando alguém fala do início do universo.

E agora a pergunta mais intrigante e importante deste assunto: como a matéria de todo o universo estaria comprimida em um pequeno ponto ou singularidade como nós cientistas falamos? Uma boa comparação fará você entender. Imagine que no lugar onde você está sentado e lendo estas palavras, houve um prédio há muito tempo atrás, com uma parede bem onde fica a sua cadeira. Existe uma distância no tempo entre esta parede e você, sendo que assim os dois podem ocupar o mesmo espaço em relação, por exemplo, ao marco zero da cidade. Mas, e se não houvesse o tempo, se ele não existisse, como na singularidade? Você e a parede, suas massas, seja lá do jeito que se apresentariam, poderiam coexistir. Assim, toda a matéria do universo, e não é pouca, coexistia dentro de uma singularidade, um ponto muito pequeno. 


Concluindo, é errado perguntar o que havia antes do Big Bang porque não havia tempo e nem espaço. A matéria toda do futuro universo de hoje estava lá nesse ponto muito pequeno e então não é que não existia nada. Tempo e espaço surgiram com a matéria se expandindo e o “nada”, que fiz questão de colocar entre aspas para o título deste texto, era a matéria muito condensada dentro da singularidade que era alguma coisa... E quem descobrir o porquê do início do Big Bang será um Nobel.

Notas:

1) - 14-01-2014: O Prof. Antonio Mário Magalhães do IAG - USP (Instituto de Astronomia e Geofísica da USP - campi de São Paulo) me disse que até o instante de 5,0x10^-44 s., não temos Física para explicar o que acontecia até então. E que depois só a Física Moderna para explicar: Física de Partículas, Mecânica Quântica, Eletrodinâmica Quântica, etc.

2) - 14-01-2014 - Também o Prof. Marcos Perez Diaz do IAG - USP, me confirmou o seguinte: "A Física na atualidade não nos permite descrever a 'estrutura' da singularidade ou as propriedades do universo" e que o nosso espaço euclidiano não existia, como eu disse no texto.

3) 31-01-2014 - Uma resposta muito interessante foi do professor Gastão B. Lima Neto, também do IAG-USP, complementando a do prof. Mário Guimarães, dizendo que a singularidade aparece porque não temos atualmente uma teoria à altura do problema, sendo que possivelmente a união da Relatividade Geral com a Mecânica Quântica, ainda não realizada, poderia ajudar.

E aqui abro um parênteses: existem críticas a respeito da singularidade porque a Física não deve lidar com densidades infinitas pois as grandezas têm que ser finitas.


OBSERVAÇÃO: de qualquer maneira ainda fica a minha ideia para discussão, a comparação descrita no penúltimo parágrafo do meu texto, de como toda a matéria do universo poderia estar tão densa a que chamamos de singularidade. 

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